Arte, beleza e história: o patrimônio incalculável dos Museus Vaticanos

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Em 1506, durante o pontificado do papa Júlio II, um fazendeiro descobriu uma estátua, escondida sob as areias de um vinhedo romano, na zona das antigas Termas de Tito, no Esquilino. A escultura, até então desconhecida, estava desfeita em cinco pedaços, mas o arquiteto do papa, Giuliano de Sangallo, acompanhado pelo gênio Michelangelo Buonarroti, reconheceram a peça como sendo a famosa obra de arte Laocoonte e Seus Filhos, uma das mais celebradas esculturas antigas. Sabendo da notícia da descoberta, o papa Júlio II comprou a estátua de imediato. E assim começava a maior coleção de arte da história.

Os Museus do Vaticano nasceram no século XVI, quando Júlio II transferiu seu acervo particular para o Cortile del Belvedere, originalmente uma vila suburbana construída por volta de 1487 para o papa Inocêncio VIII, conhecida como Villa Belvedere, a primeira em Roma desde a Antiguidade. Por ordem de Júlio II, um vasto complexo de edifícios foi erguido no local, ao norte da Basílica de São Pedro e do Palácio Apostólico, para abrigar o que hoje é chamado de o Palácio dos Museus Vaticanos, um conglomerado de renomadas instituições culturais da Santa Sé que guardam uma riqueza histórica, arquitetônica e artística de valor incalculável, adquirida ao longo dos séculos pelos diversos pontífices romanos.

Diversas salas e galerias compõem a extensa coleção de obras de arte e relíquias da Igreja Católica, com mais de 70 mil objetos expostos em uma área de 42 mil metros, onde a própria história do mundo se revela diante dos olhos. As Salas de Raffaello, a Galeria dos Mapas, das Tapeçarias e dos Candelabros constituem uma rota obrigatória através de 20 séculos de história, com obras do antigo Egito, Grécia, Roma e do Renascimento. A Pinacoteca Vaticana, que nasceu em 1817, após a queda de Napoleão, quando um grande número de obras-primas confiscadas pelo francês retornou ao Vaticano, abriga oito séculos da pintura italiana, com algumas das obras mais importantes de Perugino, Rafael, Caravaggio e Bernini.

No salão inteiramente destinado a Rafael, um dos pontos altos do museu, quatro aposentos decorados entre os anos de 1508 e 1524 pelo grande pintor renascentista podem ser apreciados, com destaque para a “Coroação da Virgem”, a “Madona de Foligno” (1512) e a “Transfiguração”, entre outros trabalhos do artista. Talvez o mais famoso fresco de Rafael seja o chamado “A Escola de Atenas”, grande alegoria da filosofia antiga. Aqui, o tamanho das pinturas e a perspectiva com que elas foram feitas dá a impressão de estarmos dentro da cena retratada. Por último, a Sala de Constantino, reservada para cerimônias e recepções oficiais, e a Sala de Heliodoro, usada antigamente para audiências privadas, retratam episódios do triunfo da fé cristã e cenas do Antigo Testamento.

Um caminho verdadeiramente deslumbrante e emocionante que deve ser percorrido por quem deseja visitar, talvez, uma das mais belas construções feitas por mãos humanas: a Capela Sistina, fruto da restauração da antiga Capela Magna, entre os anos de 1477 e 1480, no pontificado de Sisto IV. Daí o seu nome Sistina. O edifício abriga um conjunto de afrescos pintados por Michelangelo, tanto no teto como na parede do altar, além de outros grandes mestres, como Perugino, Botticelli e Pinturicchio, nas paredes laterais, representando diversas cenas bíblicas. Inspirada no Templo de Salomão do Antigo Testamento, são as obras de arte eternizadas pelo artista florentino que mais chamam atenção: o teto e o Juízo Final.

Altar da religião e da arte, uma vez dentro da Sistina,  – que desde 1513 abriga o Conclave, um ritual sagrado praticamente inalterado há oito séculos dedicado à escolher o novo líder da Igreja Católica – a grandiosidade da personalidade de Michelangelo se revela em suas pinturas tridimensionais que aclamam o triunfo da espiritualidade, com toda sua potência, devido sobretudo à concepção e a força de realização que impôs às obras. Mais impressionante do que a Sistina, talvez só a monumental Basílica de São Pedro, o maior e mais importante templo do catolicismo no mundo, cuja famosa cúpula, também projetada pelo gênio criativo de Michelangelo, ergue-se sobre Roma como a oitava colina da Cidade Eterna.

Na Basílica, a imensidão dos espaços é tamanha a ponto de perdermos o senso das proporções, uma miragem que se manifesta em todas as obras de arte espalhadas pelo local. Do monumental baldaquino de São Pedro, construído por Bernini, à Pietà de Michelangelo, obra que surpreende por sua técnica e emoção, passando pelo monumento fúnebre do papa Alessandro VII, um espetáculo tanto pela excelência da sua construção quanto pelo significado que ela exprime, mostrando quanto é efêmero o tempo da existência humana, tudo dentro da Basílica de São Pedro é feito como se para lembrar que estamos dentro da maior igreja do cristianismo.

Fruto da criatividade e do esforço de um grande número de artistas, ela é a jóia da coroa da Cidade do Vaticano, há séculos o quartel general da instituição mais longeva da história humana e o lugar mais importante de fé católica.

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