Justiça japonesa absolve acusados por desastre nuclear em Fukushima

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Juiz considera que executivos da Tepco, que administrava a usina nuclear, não poderiam prever as dimensões do tsunami que devastou a região. Decisão gera revolta e deve ser alvo de recurso.

Um tribunal japonês absolveu três diretores da empresa de energia Tepco de acusações de negligência profissional nesta quinta-feira (19/09), no único julgamento criminal referente ao acidente com os reatores nucleares da usina de Fukushima, em 2011.

Os advogados da acusação afirmaram que os executivos tinham acesso a dados e estudos que anteviam o risco na região de um tsunami com mais de dez metros de altura, e alertavam para a perda de energia e um desastre nuclear. Contudo o juiz Nagafuchi considerou que, mesmo que os eles estivessem cientes dos riscos, não ficou claro que poderiam tomar as medidas preventivas a tempo.

Os três acusados pediram desculpas pelo ocorrido e afirmaram não ter podido prever o desastre, e que acreditavam que os responsáveis pela segurança nuclear da empresa tivessem tomado as medidas adequadas. "É difícil lidar com temas que são incertos e obscuros", disse o ex-executivo Takekuro.

Do lado de fora do tribunal, dezenas de cidadãos protestaram contra a decisão, alguns vindos diretamente de Fukushima. A Tepco evitou comentar o veredicto, optando por apenas repetir o pedido de "sinceras desculpas pelo grande inconveniente e pelas preocupações" causadas pelo desastre.

A região da usina de Fukushima Daiichi, a 220 quilômetros de Tóquio, foi atingida em março de 2011 por um terremoto de magnitude 9.0, que gerou um tsunami de proporções catastróficas.

O incidente provocou o derretimento de três reatores nucleares da usina, no pior desastre nuclear desde o de Chernobyl, em 1986, e obrigou o Japão a desativar todos os demais reatores do país. Mais de 160 mil moradores tiveram que deixar a região, onde a água, o ar e os alimentos foram contaminados pela radiação.

A absolvição dos executivos deverá ser alvo de recurso, fazendo com que, depois de oito anos, o processo se arraste ainda mais. Ainda tramitam na Justiça dezenas de ações contra a Tepco e o governo japonês, referentes ao desastre de Fukushima. Algumas cortes locais ordenaram o pagamento de indenizações aos moradores das regiões afetadas.

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