Luto compartilhado por famílias que perderam alguém para a Covid e as etapas de “superação”

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Do latim luctus a palavra luto tem como definições dor, mágoa e lástima. Desde que a OMS decretou pandemia mundial pelo novo coronavírus em 11 de março do ano passado, esse sentimento já foi experimentado por inúmeras pessoas. Quase 300 mil brasileiros já perderam a vida por complicações da doença, aproximadamente 4 mil deles em Mato Grosso do Sul.

Um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences em julho de 2020, estimou que cada morte pela Covid-19 deixará aproximadamente nove pessoas enlutadas. Considerando esse levantamento, o coronavírus já impacta quase 3 milhões de pessoas no País.

Familiares, amigos, colegas e conhecidos compartilham o luto da despedida que há um ano segue novos protocolos determinados pelo Ministério da Saúde, com distanciamento, limitação de participantes, além da urna fechada sem possibilidade de um último adeus.

Para abordar o assunto a psicóloga, Gabriela Molento cita o livro Sobre a Morte e o Morrer, da médica psiquiatra suíça Elisabeth kübler-Ross que discorre sobre os cinco estágios do luto: negação e isolamento, raiva, barganha, depressão e aceitação.

De acordo com a profissional, são etapas naturais do processo compartilhado de sofrimento perante a morte. “Cada pessoa passa de uma forma, para algumas a questão da negação é bem forte, enquanto para outras não é um estágio tão marcante. É uma referência didática para que possamos entender que é completamente natural que esses estágios aconteçam e precisam ser vividos. Uma das formas de lidar com a morte é aprendermos a lidar com o assunto como um processo natural da vida”, analisa.

Na perda de um ente querido para a Covid-19 existe o risco potencial de luto traumático que merece atenção na condução dada pela rede de apoio do enlutado que deve ser delicada e sensível.

“O luto é um momento natural. Só não pode permanecer. Tudo que permanece por muito tempo pode virar algo crônico e vir a desenvolver uma depressão, ou uma psicossomatização como problemas físicos e bloqueios” alerta Gabriela que recomenda a psicoterapia, presença afetiva e espiritualidade como medidas para auxiliarem no processo.

Para a psicóloga Natali Portela uma das consequências da pandemia foi o aumento na demanda por atendimento psicológico. “Houveram mudanças significativas na vida cotidiana, e nem todo mundo consegue lidar com mudanças com tranquilidade. Ainda mais na situação que vivemos, de tantas incertezas, o sentimento que toma conta é a insegurança. O ser humano inseguro tem mais chance de se desequilibrar emocionalmente e isso se reflete em um aumento dos casos de transtornos de ansiedade por exemplo”, explica.

Natali é uma das profissionais responsáveis pelo Serviço de Atendimento Psicológico (SAP) ofertado gratuitamente aos alunos da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). “A média de atendimentos no serviço que oferecemos na universidade aumentou com a pandemia. Acredito que esse número não se elevou mais porque os atendimentos estão acontecendo apenas online, o que muitas pessoas não consideram interessante, ou não possuem acesso à internet de qualidade ou privacidade em suas casas para conversar com uma psicóloga. Porém, ao mesmo tempo, percebo que essa modalidade de atendimento permitiu que estudantes mais retraídos nos procurassem”, destaca.

 

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