Meses após matarem bebê durante ritual em aldeia indígena, pais e curandeiros são presos em MS

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O caso ocorreu em fevereiro deste ano e as investigações corriam em sigilo. À polícia, os pais confessaram o crime e disseram que a criança passou por mais de quatro dias de ritual para 'ser curada'.

 

Meses após o início da investigação da morte de um bebê, de 9 meses, durante um ritual espiritual em uma aldeia indígena, em Mato Grosso do Sul, as Polícias Civis de Aquidauana e Miranda (MS) prenderam o pai, a mãe e dois curandeiros, nesta quinta-feira (5). Os quatro serão indiciados pelo crime de homicídio qualificado pelo meio cruel.

O delegado que conduziu o caso, Pedro Henrique Pillar Cunha, explicou que as investigações devem continuar, na intenção de identificar outros envolvidos.

 

O crime

 

Conforme as informações da polícia, o casou chegou ao conhecimento quando o bebê, de 9 meses, deu entrada no Hospital Regional de Miranda já em óbito, em fevereiro deste ano.

Os policiais conseguiriam identificar várias lesões e queimaduras pelo corpo da criança e todas haviam sido circuladas com tinta vermelha e cobertas com uma espécie de pó, além de no pescoço da vítima, estar envolto um terço com uma cruz.

Em nota divulgada pela polícia, as investigações se encaminharam para apurar os fatos e a possibilidade da morte da criança estar associada a um ritual espiritual.

À polícia, de início, os pais informaram que a criança havia sido levada ao hospital, pois estava com "sapinho". Dentro do processo de apuração do caso, a enfermeira que fez a triagem da criança disse aos investigadores que a criança chegou ao hospital em óbito há pelo menos 40 minutos.

 

"Os funcionários e médicos do hospital informaram que não existia nenhum indício de “sapinho” na criança. O fato que causou estranheza é que, após a notícia do óbito, os pais e parentes reagiram com extrema frieza, sem reação compatível com o falecimento de um filho, levantando suspeitas de que já sabiam que a criança estava morta", detalha a polícia em nota.

 

Apurações

 

Ainda segundo o relato da polícia, o laudo necroscópico da vítima concluiu que a criança morreu de infecção generalizada, "provavelmente decorrente da lesão na inguinal".

Desde o início das apuração, a polícia levantou a possibilidade da prática de ritual espiritual com a criança. "Em entrevistas preliminares, os pais da vítima deram informações contraditórias sobre as lesões e incompatíveis sob o ponto de vista médico, chegando a relatar que os ferimentos surgiram no mesmo dia e 'do nada'", detalharam.

Já em fase avançada, os pais confessaram terem levado a criança a curandeiros, que teriam submetido o bebê a procedimentos espirituais durante quatro dias, em "um local chamado de santuário", pontuam.

Depois, "informaram que as lesões no corpo surgiram após os rituais e que a mancha de pó preto e tinta vermelha também são oriundas destes procedimentos, que duravam aproximadamente 1 hora", contou a polícia civil.

À polícia, um dos curandeiros afirmou que teria realizado as queimaduras de cigarro e cinzas de cigarro quentes, invocando entidades espirituais.

"A caneta vermelha era consagrada a entes espirituais e era utilizada para circular as lesões. Após o quarto dia de rituais, a criança começou a apresentar febre e inchaço abdominal, sendo levada a outra curandeira", descreveram em depoimento à polícia.

Por fim, esta última curandeira disse a polícia, que "o 'santo' lhe disse que 'não era mais com ele' e deveriam levar a criança ao médico, o que foi feito". Porém, a criança já estava morta, de acordo com as investigações.

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