MG é 2º estado em mortes por coronavírus em agosto e não tem perspectiva de sair do ‘platô’

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Especialistas destacam que estabilidade se manteve com números altos de casos e mortes decorrentes da doença e que 'não é momento para relaxar'. Em duas semanas, Grande BH tem mais de 550 mortes causadas pela Covid-19 e total chega a 1.561.

Pouco mais de um mês após Minas Gerais chegar ao "platô" da pandemia, a circulação e a infecção pelo coronavírus ainda não estão em um patamar confortável, alertam especialistas. Nos últimos 15 dias, o estado registrou o segundo maior número de mortes provocadas pela Covid-19 no Brasil: 1.183. Os mineiros ficaram atrás apenas dos paulistas em relação a vidas perdidas pela doença. O estado vizinho teve 3.544 óbitos no mesmo período. Os dados são do Consórcio da Imprensa.

Apesar de Minas estar no topo deste ranking, nesta terça-feira (18), o secretário de Estado de Saúde Carlos Eduardo Amaral mostrou otimismo em relação à redução do número de óbitos.

“De uma forma geral, nós vemos que os óbitos, baseados na data do óbito constatado, estão realmente com uma tendência a equilíbrio. O máximo que nós tivemos até agora foi em torno de 80 óbitos diários, isso já em meados de julho, e nós estamos vendo uma tendência a um início de uma queda. Porque ainda está um pouco precoce nós definirmos isso, mas parece claro que parou de haver um incremento no número de óbitos”, disse ele em entrevista coletiva.

A hipótese é contestada pelo professor de matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Ricardo Takahashi, que lidera estudos referentes à evolução da Covid-19. As projeções apontam que há tendência de oscilação em torno dos números atuais, sem previsão para queda.

“Minas tende a oscilar em torno deste número atual. Vai demorar a cair número de óbitos. Mas não tende a disparar”.

Em relação a casos confirmados no mesmo período, Minas Gerais é o terceiro colocado, com 41.529 novos registros, atrás da Bahia, com 45.453 e São Paulo, com 145.212. Segundo Takahashi, os números do estado podem ser piores, já que a testagem é baixa. “É dificílimo comparar a situação de Minas com outros estados, porque cada um tem um protocolo para testes e aqui se testa pouco."

Para o pesquisador, a pandemia pode sinalizar certa estabilidade, mas os números, que permanecem elevados, sinalizam que o “platô” será mais duradouro no estado do que estimado, especialmente por causa do protocolo adotado pelas prefeituras em relação à abertura ou ao fechamento do comércio.

“Em Minas, teve um lado positivo, que a situação não chegou a ficar descontrolada, não teve a catástrofe de hospitais hiperlotados. Mas isso causa, como efeito colateral, um platô mais duradouro que outros lugares. É um platô que demora a cair. Se permanecer nesta lógica de abrir comércio, deixar funcionando mais ou menos normalmente e, quando os índices começam a subir e chegam perto do limite, fechar de novo, acaba sendo um ciclo que tende a permanecer. É um ciclo que a gente não pode dizer que está fora do controle. Está sob controle. Mas será assim por meses”.

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