Paranoia antivacina alimentada por Bolsonaro

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Em seu anúncio televisivo, Pazuello fez questão de destacar que a "vacina não será obrigatória". Uma declaração bem ao gosto do seu chefe.

Nos últimos meses, Bolsonaro tem insistido nessa tecla, mas também sabotado esforços para que as vacinas sejam aceitas pela população. Sua primeira ofensiva foi contra a Coronavac. Em outubro, o presidente disse que o povo não seria "cobaia da vacina chinesa de João Doria". Em dezembro, reclamou das condições impostas pela Pfizer para a compra de vacinas alimentando temores sobre efeitos colaterais. "Se você virar um jacaré, é problema seu", disse.

No Natal, afirmou: "A eficácia daquela vacina em São Paulo parece que está lá embaixo, né?", em referência às dúvidas iniciais sobre a eficácia da Coronavac – que o governo paulista afirma agora ser de 78%. Na mesma semana, ele já havia dito que a "melhor vacina é o vírus".

Enquanto líderes de outros países estão entre os primeiros a tomar a vacina para incentivar suas populações, Bolsonaro também vem repetindo que não vai se vacinar, como se isso fosse um problema exclusivamente seu. Em todo o mundo, ele é o único chefe de estado ou governo que vem alimentando esse tipo de paranoia, em contraste até mesmo com figuras próximas ideologicamente, como o americano Donald Trump, que direcionou recursos robustos para vacinas, e o israelense Benjamin Netanyahu, que vem se gabando de ter comandado uma campanha que já imunizou 10% das sua população.

Paralelamente, redes ligadas ao bolsonarismo tem despejado na internet todo o tipo de informação paranoica sobre vacinas, com fantasias delirantes sobre imunizantes com chips para controle de mente.

A atitude vem gerando consequências. O percentual de brasileiros que não pretendem se vacinar saltou de 9% para 22% entre agosto e dezembro.

 

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